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Assim estava a tauromaquia há 50 anos, quando se deu o 25 de Abril


Miguel Alvarenga – Há 50 anos, João Moura tinha 14 de idade e dava os primeiros passos naquela que viria a ser a mais gloriosa «revolução» no toureio a cavalo. Quatro dias antes dessa quinta-feira 25 de Abril (no domingo 21 de Abril de 1974) debutara como amador no Campo Pequeno numa corrida formal (já actuara em outros festejos na primeira praça do país) ao lado de Manuel Conde e José Mestre Batista.

Um ano antes (Fevereiro de 1973), morrera Manuel dos Santos num acidente de automóvel e Mestre João Núncio comemorara 50 anos de alternativa com praça cheia no Campo Pequeno (27 de Maio). José João Zoio tomara a alternativa nessa tarde e no camarote presidencial assistiram à corrida o presidente da República, Almirante Américo Thomaz e o primeiro-ministro, Prof. Marcello Caetano.


A praça de toiros de Lisboa era gerida pelo filho de Manuel dos Santos, Manuel Jorge Diez dos Santos, com a colaboração de José Cardal, Américo Pena e Paulo Venâncio Rodrigues, que fora secretário particular do Prof. Oliveira Salazar. Na equipa gerente da primeira praça do país estavam também Alfredo Ovelha e José Agostinho dos Santos.


Os bilhetes para as touradas custavam 20 e 40 escudos e os cachet’s das primeiras figuras de então rondavam (valor extraordinário) os 100 contos. As Figuras da época, além do eterno Mestre Núncio, eram, entre outras, Manuel Conde, David Ribeiro Telles, José Samuel Lupi, José Mestre Batista, Fernando Andrade Salgueiro, Luis Miguel da Veiga e entre os novos despontavam Emídio Pinto, Frederico Cunha, Sommer d’Andrade, Vitor Ribeiro (pai), Gustavo Zenkl, D. Francisco Azarujinha e outros. 


Havia uma nova fornada de jovens cavaleiros, amadores ao tempo, entre os quais se destacavam Manuel Jorge de Oliveira, José Manuel Correia Lopes, Brito Limpo, Brito Paes, Moita da Cruz, José Varela Crujo, Paulo Caetano, João Ribeiro Telles, Rui Salvador e, obviamente, João António Romão de Moura.


O toureio a pé vivia ainda momentos de glória. Estavam no activo figuras como José Júlio, Armando Soares, Amadeu dos Anjos, José Simões, Mário Coelho, Ricardo Chibanga, Júlio Gomes, José Manuel Pinto, Óscar Romano – e José Falcão era a maior promessa e aquele que nos fazia acreditar numa brilhante carreira além-fronteiras. Ninguém adivinharia que viria a morrer em Agosto desse ano de 1974 em Barcelona, vítima de cornada.


Também no toureio a pé, começavam a dar que falar alguns jovens diestros, como Vitor Mendes, António de Portugal e Parreirita Cigano, além do brasileiro Fernando Guarany e outros jovens que davam os primeiros passos, entre eles, Paco Duarte, António Poeira, Fernando Pessoa, Manuel Moreno.


João Queiroz lançara em 1973 antes o jornal «Broncas & Olés», antecessor da revista «Burladero» e o jornalista da RTP Luis Alberto Ferreira dirigia um outro semanário taurino intitulado «Redondel». 


O Comandante Cristovão Moreira «Solilóquio» publicava anualmente com enorme sucesso as suas crónicas taurinas em livro e os jornais diários davam todos invejável relevo ao espectáculo tauromáquico. Andrade Guerra e José Sampaio eram as novas revelações da crítica taurina nas páginas do «Diário de Notícias». 


A franja de prestigiados cronistas era composta, entre outros, por Mestre Leopoldo Nunes, Nizza da Silva, Rogério Pérez «El Terrible Pérez», Américo Saraiva Mendes, Saraiva Lima, Hernâni Saragoça, José António Lázaro, Quito Fernandes, Francisco Morgado e José Manuel Severino. Despontava Maurício Vale. E eu dava os primeiros passos nas páginas do semanário «Cidade do Tomar» e dois anos mais tarde (1976) iniciaria a minha carreira jornalística ao lado de Vera Lagoa no jornal «O Diabo».


A Sociedade Campo Pequeno geria muitas outras praças e dominava em termos empresariais, mas Nuno Salvação Barreto iniciava também uma destacada carreira como empresário que se viria a estender a várias praças de toiros do país e até de França.


Na sua edição de 25 de Abril de 1974 (em baixo), o «Diário Popular» anunciava a primeira corrida da temporada em Santarém (28 de Abril), três dias depois da revolução, corrida mista, com os cavaleiros Gustavo Zenkl e D. José João Zoio, os amadores Emídio Pinto e Manuel Jorge de Oliveira, o matador Ricardo Chibanga e o aspirante a novilheiro António Poeira, mais os grupos de forcados de Santarém e do Montijo.


Fotos D.R.

Primeira página de uma das edições do
«Diário Popular» de 25 de Abril de 74.

Inauguração da temporada em Santarém
três dias depois do 25 de Abril

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