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21 junio 2024

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Santarém foi ontem um país inteiro a gritar e a aclamar a força da Tauromaquia!

Foto Pedro Costa/Associação «Sector 9»

Miguel Alvarenga – Era Dia de Portugal e os triunfadores foram os portugueses. Os dois cavaleiros, os dois grupos de forcados e os toiros da ganadaria portuguesa. Santarém foi Portugal inteiro a demonstrar a força e todo o esplendor da Tauromaquia. Essa foi a grande lição. E a grande vitória. Com a maior praça de toiros do país esgotada com 48 horas de antecedência, não cabia um alfinete e havia muita gente na rua à procura do milagre de conseguir um bilhete. Mas não havia nem um!

Roca Rey fez o seu papel e a mais não era obrigado – ou era? Esgotou a Monumental de Santarém, apenas e só a maior praça de toiros do país, só com o seu nome e com o trabalho fantástico desse punhado de heróicos e verdadeiros empresários (dos a sério, dos à antiga) que integram a exemplar Associação «Sector 9» e que conseguem proezas como esta, que, nos dias que correm, já não há Manuéis Gonçalves nem Rogério e Nenés capazes de as alcançar. 

Santarém não esgotava a lotação (quase 11.500 espectadores) há onze anos. Roca Rey esgotou a Monumental 48 horas antes de a pisar pela vez primeira. Foi o seu primeiro triunfo. O triunfo do seu nome. O triunfo da sua história. O resto…

O resto não tinha tanta importância como isso. E não a teve. A maior importância desta tarde em Santarém, mesmo sem Rey nem Roca igual ao que se costuma ver, com toiros a sério, em Madrid, em Sevilha, em Bilbau ou em Pamplona, foi o facto de se ter esgotado a Monumental e mostrado ao mundo que a tauromaquia em terras de Portugal está viva, de boa saúde e recomenda-se. Era importante que ontem lá tivessem estado muitos políticos para constatarem que a razão da nossa força é a força da nossa razão. Mas estávamos no rescaldo das eleições europeias e certamente tinham mais que fazer.

Foi importante para a afirmação e para a demonstração da força que, afinal, a tauromaquia tem. Tão importante como o brinde, em voz alta, para que todos o ouvissem bem, do forcado Francisco Maria Borges, do Grupo de Montemor, que dedicou a sua última pega nesta praça (despede-se em Setembro em Montemor) aos companheiros de cartel, aos ganadeiros, mas sobretudo ao público que neste Dia de Portugal esgotou a maior praça de toiros do país. 

Pena que isso não aconteça mais vezes. Pena que isso não aconteça na que foi primeira praça do país e agora é um pavilhão de concertos onde fazem o favor de deixar realizar quatro touradas por ano. Pena que o ambiente que se viveu ontem em Santarém não se viva mais vezes (às vezes, sim) em outras praças de toiros nacionais.

Praça esgotada, não havia um único bilhete. E havia gente na rua a ver se encontrava algum. Obra de Roca Rey e da dinâmica dos homens da Associação «Sector 9». Parabéns! Portugal precisava de um dia assim. A tauromaquia precisava de uma jornada assim.

O público que ontem esgotou Santarém estava ali para se divertir, para afirmar a tauromaquia e dizer bem alto, gritar, que há aficionados, que estamos vivos, afinal. Que temos força. Ainda que o mostremos num só dia por ano… No Dia de Portugal.

O público não estava ali para protestar. Pelo contrário. O público não estava ali para se enervar. Pelo contrário. Ontem o público estava em Santarém para aplaudir, para bater palmas, para comungar dessa alegria de estar numa praça onde não cabia um alfinete, como nos tempos antigos, como nos tempos de glória. Recuámos no tempo, recordámos o passado. Parecia a tarde de «El Cordobés» e Diego Puerta nesta praça. Parecia a tarde de loucura de João Moura com os sete toiros, até um Miura.

O primeiro toiro de Roca Rey, eram ambos do ganadero espanhol Álvaro Nuñez, tinha apresentação e trapio aceitáveis, colaborou, não decepcionou. O matador peruano esteve variado com o capote, entregou-se e empregou-se com a muleta, deu um ar da sua muita graça, o pessoal gostou, aplaudiu, não entrou em delírio, mas gostou.

O segundo toirinho de Roca Rey, último da corrida, tinha ridícula apresentação, deu uma cambalhota «contra o capote» do toureiro, não tinha força, nem tinha raça, não tinha nada. O matador deu-lhe uns muletazos, ouviram-se uns assobios de início, contra o toiro, claro está, mas rapidamente se apagaram. Ontem, repito, ninguém estava ali para se chatear.

O director de corrida Marco Cardoso deu uma lição de seriedade e, apesar de alguns pedidos por parte do público (poucos), não concedeu música a Roca Rey. Nem havia razões para isso, antes pelo contrário. A segunda faena, com aquela espécie de toiro, foi mais uma espécie de gozar com quem trabalha…

Resumindo e concluindo, foi bom que Roca Rey tivesse vindo, foi bom que esgotasse Santarém, foi bom poder agora dizer-se que Roca Rey veio esta temporada a Santarém. Mas não ficou uma história muito grande para contar. Veio. Somente isso. Palmas.

História ficou escrita, isso sim, pelo valoroso bandarilheiro escalabitano Duarte Silva, que foi promissor novilheiro e ontem tomou a alternativa para passar a ser toureiro de prata profissional. E que profissional! 

Recebeu e lidou de capote o primeiro toiro da tarde, de Moura Júnior; e depois bandarilhou colossalmente o primeiro toiro de Roca Rey, recebendo uma calorosa ovação de montera em mão, praça de pé. Voltou depois a bandarilhar com classe e poderio o último toiro. Passou no exame com louvor e distinção, ninguém ficou com dúvidas disso.

Os cavaleiros e os forcados, com toiros a sério de Murteira Grave, deram-nos outras alegrias. E outros motivos para os aplaudir.

Estavam em praça os dois expoentes máximos da actualidade (que, a atestar pelo que vimos ali no sábado, vão agora ter que medir forças a sério com o Palhinha) e ambos deram o melhor de si para triunfarem e saírem da «Celestino Graça» aclamados como os grandes triunfadores da corrida, a par dos valentes forcados.

João Moura Jr. não teve uma falha. Esteve simplesmente fabuloso e a marcar a diferença na lide do primeiro Grave. Superou-se depois a ele próprio na segunda actuação, um verdadeiro assombro de maestria e de genialidade com um toiro magnífico que acabou premiado com a honrosa volta à arena do ganadeiro Joaquim Grave com o cavaleiro e o forcado. 

Toureiro de outra galáxia, primeiro de um pelotão de grandes cavaleiros que escrevem neste momento as páginas de uma nova época de ouro do toureio a cavalo. Terminou a segunda lide com duas «mourinas» de arrepiar. Santarém parecia um manicómio a aclamar João Moura Júnior! Este sim, Rei de verdade!

João Ribeiro Telles respondeu ao rival com a mesma moeda, a do êxito. Os Graves eram exigentes, pediam contas, não permitiam deslizes. Telles toureou com a raça e a emoção de sempre. Deu a cara no primeiro toiro do seu lote, pisou terrenos proibidos, bregou e lidou com classe e a deixar marcas.

No segundo Grave do seu lote, quinto da ordem, voltou a ter uma actuação de alto nível, que culminou com dois ferros – aqueles por que sempre o público espera – com o fantástico cavalo «Ilusionista». De parar corações. Santarém pôs-se de pé a aplaudir.

Resumindo, triunfo grande da «parte portuguesa», isto é, dos dois grandes cavaleiros e dos forcados dos dois grupos eternos rivais. Como sempre, mais logo, vamos aqui destacar as quatro pegas da corrida com as fotos das sequências.

Bem as quadrilhas dos toureiros. Aplausos para Benito Moura, Francisco Marques e o praticante José Maria Maldonado Cortes, Duarte Alegrete e António Telles Bastos, Duarte Silva e os bandarilheiros espanhóis Paquito Algaba, Francisco Durán Viruta e António Punta.

Pelos Amadores de Santarém, foram forcados de cara, ambos ao primeiro intento, Salvador Ribeiro de Almeida e Francisco Cabaço (outro pegão!) e pelos Amadores de Montemor pegaram Francisco Borges (à segunda) e José Maria Cortes Pena Monteiro (à primeira).

Direcção muito acertada e muito séria de Marco Cardoso, que esteve assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz. Ao início da corrida, foi guardado um respeitoso minuto de silêncio em memória do grande aficionado, cavaleiro amador e antigo forcado Alfredo Vicente, pai e avô, respectivamente, dos cavaleiros Luis Rouxinol e Luis Rouxinol Júnior, ontem falecido aos 89 anos. E João Moura Jr. ergueu o seu tricórnio aos céus e honrou-lhe a memória com um sentido brinde.

Fotos M. Alvarenga

Roca Rey com o seu primeiro toiro: deu um ar da sua muita graça

 

Com o último, não se passou nada. Nem a Banda tocou

Alternativa brilhante do bandarilheiro Duarte Silva

Moura Jr. magistral. E Joaquim Grave premiado com volta

Inspirado e com a classe de sempre, João Telles em grande

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